Aqui vai encontrar toda a informação que necessita sobre a distreofia muscular mais comum e mais grave.
Distrofia MuscularNormalmente, a distrofia muscular de Duchenne manifesta-se pela primeira vez em meninos com idade entre três e sete anos, caracterizando-se, no começo, pela atrofia dos membros inferiores e pélvicos, com parésia primeiramente proximal e depois distal. Com isso, nota-se que a criança passa a ter dificuldades na locomoção até mesmo no que se refere a actividades quotidianas, como levantar-se, correr, subir escadas, entre outras, apresentando quedas frequentes. Com o progredir da doença ocorre comprometimento dos músculos dos membros superiores. Os gastrocnémios das crianças afectadas encontram-se já pseudo-hiperatrofiados no início da doença. Isso acontece porque as fibras musculares necrosadas vão gradualmente substituídas por tecido adiposo, dando um aspecto falsamente hipertrofiado à região. À medida que os músculos enfraquecem, eles também aumentam de volume, mas o tecido muscular anormal não é forte. À medida que a doença evolui, o grau de atrofia muscular e sua extensão aumentam.
Apresentam ,às vezes, atrofia facial embora a fala, deglutição e os músculos oculares extrínsecos sejam, normalmente, preservados. Hiporreflexia patelar e aquileu são sinais que aparecem o tempo.
Em 90% dos meninos com distrofia muscular de Duchenne, o miocárdio também aumenta de volume e enfraquece, causando distúrbios do ritmo cardíaco, por volta da adolescência (que são detectados no electrocardiograma). Comprometimento dos músculos respiratórios ocorre também apartir desta idade. Os músculos dos membros superiores e inferiores podem apresentar contracturas em torno das articulações, impedindo a extensão completa dos cotovelos e dos joelhos. Apresentam alterações da coluna -lordose- para equilibrar o corpo e, posteriormente cifoescoliose devido à atrofia da musculatura paravertebral e como consequência das alterações musculares das pernas. Em torno dos 10 ou 12 anos de idade, a maioria das crianças com essa doença encontra- se confinada a uma cadeira de rodas. O aumento da fraqueza também as torna susceptíveis à pneumonia e a outras doenças. A doença pode, por vezes, afectar também o cérebro do indivíduo conduzindo a uma perda de QI de cerca de 20 pontos. Por volta dos vinte anos de idade, a insuficiência respiratória evolui devido à atrofia do músculo diafragma, passando a necessitar de assistência ventilatória constante. A invalidez total e o óbito em idade jovem ocorrem na totalidade dos casos, uma vez que os tratamentos disponíveis se limitam a reduzir modestamente a morbilidade dos pacientes, sem qualquer repercussão sobre a mortalidade.
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Figura: Manobra típica que os indivíduos usam para conseguirem se levantar do chão: sinal de Gowers - característico da Distrofia Muscular de Duchenne; Este sinal consiste em fazer um movimento de rolamento do corpo para se ajoelhar, apoiar-se no chão com a extensão dos dois antebraços e levantar-se com dificuldade após colocarem as mãos sobre os joelhos. |
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Dosagem da creatinofosfoquinase (CK): A enzima (creatinina cinase) sai das células musculares, aumentando acentuadamente a sua concentração no sangue. No entanto, concentrações elevadas de creatinina cinase não significam necessariamente que a criança apresenta uma distrofia muscular, uma vez que outras doenças musculares também podem causar aumento da concentração sérica dessa enzima.
Exame do DNA: para pesquisa da deleção no gene da distrofina;
Biópsia muscular: um pequeno fragmento do músculo é removido para ser submetido ao exame microscópico – para certificar-se do diagnóstico. Ao microscópio, o músculo apresenta tecido morto e fibras musculares anormalmente grandes. Nos últimos estágios da distrofia muscular, o tecido adiposo e outros tecidos substituem o tecido muscular. É uma pesquisa qualitativa e quantitativa da distrofina e é especialmente útil nos pacientes que não apresentam deleção;
Estudo do RNA: realizado a partir dos linfócitos do paciente permite identificar o ponto em que ocorreu a mutação (mutação de ponto).
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Figura: Visualização microscópica |
A distrofia muscular de Duchenne é diagnosticada quando alguns exames especiais demonstram níveis extremamente baixos da proteína distrofina no músculo. Os exames que confirmam o diagnóstico consistem em estudos eléctricos da função muscular (electromiografia) e estudos da condução dos nervos.
Tabela 3: Nos estágios pré-clínicos da doença, a creatina cinase sérica está elevada por sua liberação no músculo afectado, dando indícios da manifestação do distúrbio. Outros defeitos moleculares mais comuns estão listados no quadro abaixo e podem servir de instrumento para o diagnóstico da doença.
| Mecanismos de mutação na Distrofia Muscular de Duchenne ou Becker | ||
Defeito Molecular ou Genético |
Frequência |
Fenótipo |
Em homens afectados: |
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Deleção Genica (de 1 éxon a todo gene) |
60% |
DMD ou BMD |
Mutações de ponto |
34% |
DMD ou BMD |
Duplicação parcial do gene |
6% |
DMD ou BMD |
Deleção de genes contíguos |
Rara |
DMD mais outros fenótipos, dependendo de outros genes deletados |
Em mulheres afectadas: |
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Inaticação não aleatória do X |
Rara |
DMD |
Síndrome de Turner (45, X) |
Rara |
DMD |
Translocação X; autossomo |
Rara |
DMD |